Posts Tagged ‘saudade’

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Bruges – a cidade dos meus sonhos e um sonho de cidade

26 de Abril de 2009

Há uma semana visitei um sonho de cidade, sem sequer sonhar que iria estar perante a cidade dos meus sonhos. Não há muitas palavras que possa usar para descrever Bruges. Mais do que qualquer descrição, é o impacto da cidade na alma que conta. E que impacto que foi!

Bruges é uma cidadezinha pequenina, muito medieval e atravessada por canais (tal como Veneza). Tudo é lindo e digno de filme. As pontes, as casinhas adoráveis, as igrejas, as ruas estreitinhas… E vale tudo pelo todo. É uma cidade encantada, com muitos espaços verdes e muitas bicicletas.

Fiquei impressionada assim que saí da estação de comboios e, a partir daí, comecei a adiar o regresso até ao impossível. Dá vontade de ficar lá a viver, de explorar todos os recantos, de ver todas as vistas e todas as ruas. E até conseguimos, sem muito esforço, ignorar os milhares de turistas de máquina fotográfica em punho, ignorar o comércio a preços exorbitantes, ignorar a dimensão pequena da cidade…. para fazermos planos de estadia prolongada na cidade de todos os sonhos!

Os dois contras que não se podem ignorar: a língua (flamengo) e andar de bicicleta. Presumo que a primeira seja muito mais fácil de aprender do que a segunda…

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Flagey – parte 2

11 de Abril de 2009

Como prometido, as fotos restantes da praça Flagey e do nosso Fernando Pessoa =) Espero que gostem!

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“Ó gente da minha terra”

1 de Abril de 2009

Sim, têm razão, demorei com um novo post. Mas os dias aqui passam a mach3 (isto faz-me sempre lembrar a gillette) e o tempo não chega para tudo.

Há várias boas notícias aqui de Bruxelas:

- finalmente comi a minha primeira gaufre quentinha, vendida na rua :) :) :) simplesmente maravilhosa. Tenho que ter atenção para não fazer da gula temporária um hábito…

- já tenho a viagem para Estrasburgo marcada, os bilhetes de comboio comprados e o quarto de hotel reservado. São grandes as expectativas para ver a cidade…

- a hora mudou, tal como em Portugal. É tão bom sentir os dias maiores, dá outro ânimo, acreditem. E já me disseram que a luz do dia aqui dura e dura e dura, como os coelhinhos duracel (ok, hj deu-me para as comparações publicitárias). Ou seja, claridade até às 23h, 23h30…Ainda me custa a crer que seja realmente possível.

- aliado ao novo horário, o Sol veio em força desde domingo passado :D os casacos de Inverno ficaram em casa, finalmente. Sei que não está o calor de Portugal, mas acreditem: é um alívio fugir ao cinzentão de Bruxelas.

Aproveitando o calorzinho e a claridade, saí do trabalho e fui dar uma volta sozinha para tirar umas fotografias e ganhar novo fôlego na alma a ver a cidade. O resultado: a prova de que o cantinho onde moro é mesmo o cantinho da “gente da minha terra”.

Desci a rua para ir à praça Flagey:

rua em Ixelles

os cafés portugueses no caminho:

Rio Mondego

paulino

Queijinhos doces

 

E eis que cheguei à Flagey

Flagey

e quem é que descobri??

Pessoa

banco

A praça Flagey é dedicada ao nosso grande poeta Fernando Pessoa. Além deste banco, há outro similar apenas com o “chapéu de Pessoa” e uma estátua (sim, uma estátua de Fernando Pessoa em Bruxelas) com a placa “A minha pátria é a lingua portuguesa”. Prometo pôr aqui as fotos da estátua e do outro banco, assim como mais algumas fotos da Flagey, em breve. Apenas pus estas desta vez porque a ligação wireless estava muito má e o upload das fotos demorou eternidades….

Enfim, mas é bom sentirmo-nos em casa quando não o estamos, lembrarmo-nos que a pátria não é só o país (físico) de onde viemos… Aqui podemos estar em casa e estar fora, tudo na mesma cidade…São poucos os lugares assim no Mundo…

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Lost in Translation…

18 de Março de 2009

Estou em Bruxelas. Vivo em Bruxelas. Respiro o ar de Bruxelas. Gosto de cá estar e ao mesmo tempo não gosto. Gosto da cidade “à minha medida”, gosto de ouvir várias línguas na rua, gosto do cheiro a frites e de saber que deixei as dietas platónicas em casa.

Gosto de abrir a porta da casa (but not yet a home) e sentir o frio na ponta do nariz, a dizer-me bom-dia e a dar-me energia. Gosto de percorrer as centenas de metros que me separam do Parlamento a pé, devagar, e a sorrir, como no primeiro dia. Gosto de dizer “bonjour” nas lojas com o mesmo sorriso, o sorriso apalermado de quem é estrangeiro e gosta de se inebriar nos novos cheiros, imagens e sensações que encontra. Gosto de ver os parques e cheirar o verde. Gosto de fugir à rotina que tinha em Lisboa e construir uma rotina nova, só minha, novinha em folha.

Gosto de não ter televisão. Gosto de viver sem grilhetas, nem sufocos. Gosto do cheiro a pão que vem do café do senhor Garcia logo pela manhã. Gosto de chegar ao trabalho e dizer “hello” em várias línguas. Gosto de escrever conteúdos, gosto de trabalhar, gosto de sentir que sou útil. Gosto de ser estagiária no Parlamento Europeu.

Gosto especialmente de duas sensações. O embevecer-me a olhar pela webcam para o meu “marido”, sentir a saudade a apertar. Gosto de ser portuguesa e ter o aperto da saudade no coração, faz-nos saber o que é estar vivos.

E, em segundo lugar, gosto de redescobrir o meu “mano” em diferentes circunstâncias. Gosto de comer batatas fritas num cartucho de papel acompanhadas de molho tártaro e falar sobre as nossas esperanças e medos. Gosto de descobrir uma pessoa tão racional e controlada que se encontra nos meus antípodas. Um pouco como a Carla (ver post anterior) consegue ser para mim, às vezes. A balança que me dá balanço e âncora ao mesmo tempo.

Não gosto de estar longe da maninha. Não gosto de não a abraçar 500 vezes por dia. Não gosto de não ter máquina de lavar e de não poder ir passear para a praia. Não gosto da distância dos belgas e da falta das boas maneiras do dia-a-dia.

Não gosto do artificialismo do networking e do sorriso interesseiro. Não gosto de vampiros que comem tudo. Não gosto de certas coisas de que me vou apercebendo nos bastidores. Mas gosto de me manter idealista e convicta, apesar de tudo.

Mais importante, não gosto do lost in translation. Não gosto de ter deixado o que era para trás, no português do dia-a-dia. Não gosto que me faltem as palavras, seja para dizer agrião em inglês, como para dizer vinagre em francês. Não gosto de só ter neste momento exemplos alimentares.

Não gosto de deixar as minhas convicções arrebatadoras e entusiasmadas encostadas à prateleira enquanto faço conversa de circunstância. Gostei de falar com a Rafaela sobre a precariedade no jornalismo e relembrar que há que manter a esperança de luta. E falar disso em português, pois claro.

Gosto de falar com o Mário sobre tudo e mais alguma coisa. Gosto de fazer 125 perguntas sobre a União Europeia numa só noite. Mais uma vez, em português.

Aaah, friso… odeio que alguma coisa fique lost in translation. Ideias, piadas, fait-divers ou argumentos políticos… Odeio!

E, para terminar, gosto de viver sozinha, gosto de descobrir novas coisas dia após dia e sentir que quebrei com a estagnação que me cortava a respiração todas as manhãs. Gosto de, mesmo amando Bruxelas com todo o fervor dos recém-chegados, saber que deixei aí a cidade mais bonita de sempre, a minha Lisboa…e de ter a certeza que para as suas sete colinas irei voltar.

 

Post-scriptum: sei que há muitas referências neste palavreado todo que podem não alcançar por completo. Nomes, situações, lugares. Perguntem o que querem ver esclarecido. Comentem. Terei todo o GOSTO em explicar-vos ao detalhe o que me tem movido e prendido a esta cidade.

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