Sexta-feira. Sair da redacção. Juntar-me ao João e à Carla e sentarmo-nos nos sofás do Great American Disaster.
Pedi hamburguer com molho à café. O tal Legendary Lisbon. Não pela carne, nem pelo molho. Mas pelo desejo irresistível das batatas fritas.
Antes disso o abraço colectivo (apesar de sermos apenas três) para felicitarmos a Carluxa, a nossa mestra Jedi. Depois, o copo de sangria e a conversa sobre a sociedade, o liberalismo económico e os berços d’ouro. Não estava no American desde Janeiro, soube bem. Não conversava assim com a Carla desde há muitos meses, muito por culpa do Obama que a mantinha só para ele semanas a fio. Não soube bem, não soube mal. Soube a normal, a carinho, a à vontade, a…família.
Rumámos para o Bairro. Alto. Ruas apertadas. Salvo enganos, também não ia lá desde Janeiro. Pelo menos não voltei lá desde o regresso a Portugal. Porquê? Não sei, não me interessa saber, sequer.
Amigos de amigos. Entre elefantes a fazer o pino e caipirinhas, conversou-se sobre mulheres. Sim, mulheres. Passei horas a discutir a área do meu mestrado. E soube bem.
Soube bem não ser olhada de lado, soube bem não perguntarem “és lésbica?”, com sorriso trocista. Soube bem respeitarem-me por aquilo que sou, feminista e feminina, ambos os termos, sem exclusões mútuas. Soube bem conversar e perder-me em argumentos. Soube bem porque não foi normal, não foi familiar.
Debater. Perder debates. Reconhecer que a retórica nunca foi grande atributo dos meus pouco atributos. Dizer não a um “qué-flô?” que nos respondia com “Cutá-cuti?”. Lost in Translation…o tema de um dos meus posts perdidos por aqui que voltei a reviver nos bairros lisboetas.
Bastou uma noite. Algumas horas. Senti que não estava perdida. Fechei os olhos e não pensei em Bruxelas. Pensei em mim, em quem sou. E estou bem aqui. A fazer o que faço e com as pessoas com quem estou. Sei que outros voos me esperam. Mas sei que estou a trabalhar a minha rampa, sem sentir que é uma rampa. Estou onde pertenço e pertenço onde estou.
E, até 2011, esperam-me muitas noites com mulheres, principalmente eurodeputadas, tão semelhantes àquelas que a Carla passou com o Obama. Mestrados que se tornam as nossas vidas e que nos pertencem. Fecho os olhos. Sorrio. Estou bem.











